segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Porque é que celebramos o Halloween se podemos celebrar algo português e melhor?


Por cá, não só assistimos à banalização do estrangeirismo e negligência da língua portuguesa - que deveria conhecer limitações, sobretudo para aqueles que exercem funções públicas, sendo o CDS-PP e, mais especialmente, Paulo Portas, p.e., excepção àquilo que já parece ser regra - como se tornou cada vez mais popular o Halloween, também conhecido como Dia das Bruxas.

Ao contrário de muitos, que entendem que só é bom e está na moda aquilo que vem de fora, sobretudo da anglofonia, possivelmente por ser o que a televisão e os cinemas lhes servem, não tenho a menor dúvida de que, tal como no Brasil, temos motivos mais do que suficientes para substituirmos o Halloween por um dia comemorativo de uma qualquer figura mitológica ou momento da história nacional. Sim, é certo que o Halloween conhece as suas origens na cultura celta e que os celtas foram dos primeiros invasores da Península Ibérica, questionando-se, contudo, que tenham habitado aquilo que hoje é Portugal e que toda a Ibéria tenha tido origem e desenvolvimento unos. Porém, segundo alguns peritos, apesar da facilidade de aculturação que caracterizava as relações entre os celtas e os povos invadidos, o legado dos primeiros terá sido insignificante para aquilo que somos hoje, sobretudo quando comparado com o que nos foi deixado por fenícios, cananitas, ugaríticos, mas, principalmente, por judeus, muçulmanos e romanos.

Assim, aproveito este meio para propor que hoje se celebre uma qualquer entidade ou evento da cultura portuguesa que sirva, igualmente, para inspirar os portugueses e apelar ao seu nacionalismo, podendo mesmo ser tornado em algo que esteja na moda. Porque não o Dia Nacional da Padeira de Aljubarrota - apelo à coragem e bravura -, o Dia Nacional do Adamastor - que inspire à vitória perante as maiores dificuldades -, o Dia Nacional da Moura Encantada - para os mais adeptos do misticismo - ou o Dia Nacional do Luso - alegado fundador da Lusitânia. Finalmente, porque não o Dia Nacional da Mitologia Lusitana? Sabiam que o deus da guerra, conhecido pelos romanos como Marte e pelos gregos como Ares, era apelidado de Cariocecus na Lusitânia?

Afinal, não é tudo isto cultura nacional? Não é a nossa identidade enquanto país que está em causa? Para quê adoptar práticas e conceitos que pouco ou nada têm a ver connosco, quando temos melhores na cultura portuguesa. Não será também para isto que serve a Secretaria de Estado da Cultura? Ou as competências desta entidade resumem-se à atribuição de subsídios a umas quantas entidades?

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