segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Miguel Macedo, o Direito e a Moral.

«Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm», já escrevia o Apóstolo Paulo em I Coríntios 10:23. Por mais que Miguel Macedo invoque o princípio da legalidade para justificar o pagamento do subsídio de alojamento de 1.400 euros, importa estabelecer a separação entre o Direito e a Moral.

Neste caso, em tempos de austeridade, é óbvio que o pagamento de um subsídio a quem não o merece choca qualquer português com dois dedos de testa. Mas o que é ainda mais chocante é saber que o injustamente privilegiado é um ministro que se manteve calado, mesmo sabendo que obtinha uma vantagem injustificada, e que, muito provavelmente, assim continuaria se a notícia não calha a ser publicada.

Quase tão mau quanto isto é assistir ao triste espectáculo de o beneficiado justificar-se com a lei e com o facto de não querer perder tempo com o assunto, como que dizendo «muita sorte têm vocês que eu faça isto». Sim, corrigiu o erro - porque o Direito por vezes viola a Moral -, mas a justificação não lhe ficou nada bem.

Igualmente mau só mesmo a decisão de Aguiar Branco em prescindir do subsídio de alojamento por «solidariedade com os seus colegas de Governo» e não solidariedade com os portugueses. Afinal, razão têm aqueles que dizem que a política é tudo uma questão de amizades e não de serviço em favor do primeiro dos três elementos que compõem o Estado: o povo.

Sem comentários: