quinta-feira, 6 de outubro de 2011

José Sócrates na Europa em nome do Brasil e prejuízo de Portugal.

Noticia hoje o Correio da Manhã que o Instituto de Estudos Políticos de Paris recusou duas vezes a candidatura de José Sócrates, tendo sido necessária a intervenção do Embaixador Francisco Seixas da Costa para que o problema fosse desbloqueado - e, com uma simples cunha, uma instituição deita todo o seu prestígio por terra. Esperamos todos que o apoio do Embaixador aos alunos portugueses a estudar em Paris seja em tudo idêntico ao prestado ao antigo Primeiro-Ministro.

Porém, o que mais lança preocupações é saber que, em Junho passado, José Sócrates foi convidado por Lula da Silva e Dilma Rousseff para exercer funções como representante dos interesses do Brasil na Europa - cargo este que aceitou - e ter designado o seu ex-assessor de imprensa, Luís Bernardo, para as mesmas funções na África lusófona. Ou seja, o Brasil contrata cidadãos portugueses para fazerem lóbi em favor dos seus interesses, ainda que tal comprometa os interesses de Portugal. Não espantam, por isso, as recentes visitas a Madrid e Berlim, antes de Passos Coelho, para se encontrar com José Luis Zapatero e Angela Merkel. O terreno foi preparado para o que aí vem, sobretudo com a série de privatizações que aí vêm.

Espantoso, porém, é o facto de todos acharem normal este fenómeno de ter um ex-Primeiro-Ministro a ser contratado para defender os interesses de terceiros em mercados que deviam ser os nossos, sobretudo quando estes manifestam vontade de atacar em força. Afinal, o que é isso de interesses portugueses e de que forma se distinguem de interesses de uma pseudo-elite política?

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