segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Provável perdão da dívida grega faz-nos duvidar da política de austeridade.

O recente anúncio de eminente perdão da dívida grega - que pode ir até 60% (!) - lança, desde logo, uma pergunta: vale a pena toda esta austeridade que insiste em castigar os portugueses por dívidas que não conheciam nem contraíram? A boa notícia é que não serão só os gregos a ter de passar pelo perdão da dívida para se conseguirem manter em pé. A má notícia é que falta vontade política - para não utilizar outra expressão - para saber lidar com os credores e com as organizações.

Conforme tive oportunidade de referir inúmeras vezes neste espaço - aqui, aqui e aqui -, é uma questão de tempo até que a dívida portuguesa tenha de ser renegociada e os motivos são três e são simples: não há nenhuma economia no mundo que tenha recuperado sem medidas que a dinamizem e com medidas que visem apenas redução na despesa e aumento de impostos; em segundo lugar, desconheço outra economia que se tenha reerguido com base na dependência do exterior e na falta de incentivos ao sector empresarial interno; e, finalmente, considerando que os consumidores são os verdadeiros impulsionadores da economia, a redução do poder de compra destes reduz o consumo e agudiza a recessão.


Inexplicavelmente (ou talvez não), os Estados visados acederam quase incondicionalmente às condições impostas, assistindo-se a uma subserviência que foi ainda mais além em Portugal e só parou na Grécia por manifesta incapacidade para cumprir obrigações que dificilmente qualquer outro Estado conseguiria cumprir. Precisamos, mais do que nunca, de governantes à imagem dos grandes que, após vários séculos, ainda são recordados nas aulas de História e nos livros. Faltam-nos homens como o Duque de Palmela, o Conde de Ávila ou Levy Maria Jordão, três personalidades que, em pleno século XIX ousaram desafiar a Inglaterra pelas possessões portuguesas no estrangeiro e, mesmo perante condições extremamente adversas, tiveram a audácia de vencer e ver as suas façanhas reconhecidas ao nível global. Não fossem eles, além de tantos outros, e hoje Portugal não existia.

É muito difícil encontrar um líder da actualidade que ouse desafiar as grandes potências europeias com base em motivações estritamente nacionalistas. Se o tivéssemos, a primeira opção passaria por engendrar uma solução, desse por onde desse, que impedisse o país de continuar a ser explorado injustamente às mãos de meia dúzia de mabecos com aspirações ilegítimas. É feio incumprir ou aceitar condições (ainda que usurárias) para satisfazer meia dúzia de interesses privados, mas há créditos que já estão mais do que pagos e é preciso acabar com eles. Uma solução já foi aqui apresenta por mim, mais concretamente aqui.

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