sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Gestores de carreira vs liberalismo

A notícia de criação de gestores de carreira para acompanhar os desempregados não podia ser mais paradoxal, senão vejamos, um desempregado não tem carreira passível de ser gerida, além das acções de formação - a maioria delas inúteis. Em segundo lugar, como pretende o Estado capacitar os desempregados para a verdadeira selva em se se tornou o mercado laboral, se se pretende tratar os «geridos» como crianças ou deficientes mentais que necessitam de um tutor para escolher, não aquilo que os próprios desempregados gostariam de fazer, mas aquilo que um dia eles vão aprender que devem gostar de fazer, nem que seja à força.

Confusos? Então vamos para o paradoxo número 3, talvez o maior de todos: que Governo neoliberal é este que defende acerrimamente menos Estado na economia e na vida privada mas que se arroga o poder de escolher o que cada um deve fazer, violando o princípio de liberdade de escolha da profissão, consagrado no art. 47.º da Constituição. É certo que a Lei Fundamental é letra morta, mas gerir a carreira alheia contra a vontade do «gerido» é a negação de toda a matriz ideológica que caracteriza este Governo.

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