sábado, 1 de outubro de 2011

Contratação de assistentes convidados pela Faculdade de Direito de Lisboa: vitória pírrica.

Depois da forma vergonhosa como decorreu o processo de contratação de assistentes convidados pela Faculdade de Direito de Lisboa (FDL) e de todas as especificidades que esse procedimento envolveu, eis que ontem o Jornal de Negócios publicou uma notícia que revela que o famigerado concurso acabou por não ser concluído com sucesso por falta de homologação do Reitor da Universidade de Lisboa. O motivo: antes de pensar em distribuir cargos a pessoas contratadas com base em critérios muito duvidosos, a Faculdade deve primeiro recontratar os 22 que já tinha no ano lectivo transacto e só depois colmatar as vagas necessárias.

Esta é uma vitória pírrica para quem denunciou o concurso e pretendeu impugná-lo: por um lado, muitos dos que foram injustamente beneficiados pelo concurso, com base em critérios muito duvidosos, acabam por adiar a entrada - sabemos que esta FDL tudo fará para agradar a alguns catedráticos e respectiva pandilha; por outro lado, os estudantes acabam por ser sacrificados pela incompetência alheia e pelo clientelismo que reina há já muitos anos num local onde se devia aprender... Direito. Apesar de os verdadeiros sacrificados serem os alunos, os responsáveis por estas contratações simplesmente não querem saber disso: as propinas já estão pagas e depois acabam por compensar com uma catrefada de aulas extra dadas em cima do joelho - outro clássico nesta casa -, muitas rezas e seja o que Deus quiser.

Apesar de não vislumbrar, à primeira vista, um nexo causal directo entre a denúncia que fiz ao Ministro da Educação e da Ciência, Nuno Crato, e ao Reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, e a a notícia ontem publicada, o que é certo é que o último já teve conhecimento da forma como se desenrolou o processo e recebi na passada semana uma comunicação oficial do Gabinete do Secretário de Estado do Ensino Superior a referir que o assunto vai ser analisado pela Inspecção-Geral. Pelo meio, não posso deixar de destacar que alguns anónimos têm feito comentários estranhos nos últimos dias, tendo ainda recebido no meu e-mail algumas mensagens igualmente estranhas. A caça às bruxas está aberta, mas não tenho a menor dúvida de que o caminho é este: denunciar e expor a pouca vergonha que se passa em entidades públicas.

2 comentários:

Anónimo disse...

Amigo, nunca saberemos se o processo de contratação foi suspenso por conta da sua denuncia, e concordo que o caminho realmente deve ser esse, denunciar. Estudamos exatamente para isso, para combater a injustiça e apontar ao judiciário os mandos de desmandos de nossos governos. Mantenha sempre esse espirito combativo. Abraços.

Nem tudo Freud explica disse...

Caro/a anónimo/a, muito obrigado pelas suas palavras. Certamente manterei o espírito combativo que me caracteriza. Abraço