domingo, 9 de outubro de 2011

Alberto João Jardim com maioria absoluta na Madeira: errar é humano.

O povo é bovino, já dizia o outro, mas não gostam que o chamem de tal. As pessoas gostam de permanecer na ignorância e/ou persistir no erro. Não gostam de ser chamadas à atenção. É uma questão de teimosia e orgulho ou, em alguns casos, gratidão e reverência. Somos humanos e erramos. Insistir no erro também é humano mas já começa a entrar no campo da acefalia e, quiçá, da patologia. Também já fui acéfalo, confesso. Se eu fosse contar o número de vezes e os assuntos em que já me comportei como «eleitor que votou hoje em Alberto João Jardim», amanhã ainda estaríamos aqui. Duvido que seja o único no continente a fazer semelhante desabafo.

Paguei pela maioria destes meus erros - muitos deles mais ingénuos do que votar no Alberto João - e ainda devo algumas prestações à casa! Noutras tantas vezes, alguns inocentes pagaram pelos meus erros juntamente comigo. Isto tudo para dizer que a maioria dos eleitores madeirenses deve ser perdoada por mais um entre tantos erros. No continente não há muita moral para apontar o dedo à acefalia alheia, porque mais de 2 milhões de eleitores votaram há pouco mais de 4 meses no PSD de Pedro Passos Coelho que está a dar continuidade à «bela obra» deixada pelo PS de José Sócrates. Mais de 1 milhão e meio de eleitores votou novamente no PS. Antes destes, os portugueses insistiram em dar votos de confiança a outros com nomes diferentes mas iguais na incapacidade de gerir um Estado. Até eu já me enganei e votei uma vez PSD. Aprendi com o erro. Não me permiti a acefalia. Definitivamente, não há legitimidade para culpar os madeirenses. Perdoem-nos como gostariam que vos perdoassem pelo que fazem.

Dizer que o PSD não é o mesmo que Alberto João Jardim é passarem-me um atestado de estupidez: o símbolo é o mesmo, a cor é a mesma e o partido, se fosse sério, podia ter tirado a confiança política a Alberto João Jardim, obrigando-o a concorrer pelo Partido Trabalhista ou pelo Partido dos Animais. Não visitar o arquipélago apenas poupou alguns cobres ao partido. Mas quem quis votar na continuidade fê-lo colocando uma cruz no PSD, os apoios estão lá e a factura pela publicidade e pelos comícios vai parar à São Caetano à Lapa.

Quanto aos resultados, não há muito a dizer: o CDS-PP teve um resultado estrondoso, mas a maioria absoluta do PSD mitiga (e de que maneira) esta vitória centrista. Alberto João Jardim não quer saber dos «cartões amarelos» que muitos dizem que foram mostrados hoje ao partido e lançou o alerta para isso mesmo. Alberto João Jardim não quer saber de ninguém e vai continuar a governar como quer, até porque dificilmente concorrerá às próximas eleições. Assim, ter 9 deputados ou 20 é completamente irrelevante. A maioria é de Alberto João Jardim e o resto é conversa. 

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