sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Portugal é um laboratório e os portugueses são ratos.

Portugal é um laboratório e os portugueses são os célebres ratinhos brancos que são alvo dos testes - também chamados «políticas» - de vários (pseudo-) cientistas - comummente designados «políticos». Todos pretendemos a cura para doenças como o cancro e a SIDA. Até ser encontrada a cura, o investigador testa tudo e mais alguma coisa nos pobres ratinhos, não raras vezes sacrificados a fórmulas absurdas e a outras aparentemente lógica mas que resultam em fracasso.

Em Portugal passa-se exactamente o mesmo, mas as fórmulas giram à volta da forma como o dinheiro é retirado aos portugueses e investido em testes, uns absurdos e outros aparentemente lógicos. Enquadro no primeiro caso a proposta de aplicação de 1% do salário do trabalhador destinada ao fundo de compensação em fundos de investimento. Aplicar as verbas destinadas à indemnização em caso de despedimento em produtos de risco parece-me inconcebível e ilustrativo da falta de capacidade para criar soluções para resolver de uma vez os problemas. Esta proposta deixa a sensação que se vai, uma vez mais, às apalpadelas: dinheiro para um fundo de investimento associado a produtos tão duvidosos quanto aqueles que os bancos - privados, muito provavelmente - habitualmente obrigam os clientes a subscreverem para obterem uma redução de spread no crédito à habitação, mas que em alguns casos degeneram em surpresas como o BPP.

Brincar à bolsa com o dinheiro dos contribuintes é inaceitável e, já que se pretende avançar para uma solução inspirada numa proposta espanhola que o Governo de Zapatero entretanto abandonou, então que se invistam os valores em causa em produtos sem qualquer risco com uma taxa de juro que se aproxime da inflação anual, justificando, minimamente, a privação do gozo do montante pelo trabalhador.

A alegada proposta portuguesa é infeliz e falsamente paternalista porque:
- Fica aquém do desejado, retirando apenas 1% do salário para o fundo, o que dará um valor de indemnização demasiado baixo para aquilo que se deseja que seja um fundo de «compensação» por despedimento;
- Pretende forçar os portugueses a pouparem, quando, em altura de crise, com cortes sucessivos e aumentos de bens e serviços, as famílias necessitam de liquidez para fazerem face às despesas básicas diárias, em vez de verem o dinheiro a desvalorizar num qualquer fundo.

Este produto é ainda deficiente porque insiste nos erros do passado de países como os Estados Unidos, revelando o atraso de Portugal face aos países ditos desenvolvidos: a fórmula já foi testada, já falhou e agora chega tarde ao nosso país mas, em vez de tirarmos lições do que se passou noutros lados, achamos que por qualquer motivo aqui vai funcionar, nem que seja pelo bom clima que temos ou porque os portugueses são passivos e papam tudo o que lhes metem no prato, mesmo que a refeição a ser servida seja uma torta de veneno para ratos com 605 forte para «ajudar a empurrar».

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