segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O futuro de Portugal na União Europeia: pior cego é o que não quer ver.

Depois dos repetidos avisos já feitos neste espaço e do ataque sem precedentes aos Estados-Membros mais pobres da União Europeia, os mais poderosos e até a própria UE perderam a vergonha na cara e já vale de tudo para se concluir a colonização definitiva do «projecto europeu» em moldes que todos rejeitaram na década de 1940, mas que agora se opera pela via económica.

Assim, Angela Merkel sugeriu a perda de soberania para países que não cumpram os critérios de estabilidade - curioso é o facto de a própria Alemanha não os cumprir, mas isto do Direito Internacional e da aplicação da lei tem muito que se lhe diga - e Durão Barroso assumiu à CNN que o caminho a percorrer é a continuação da integração.

A integração económica há muito que foi ultrapassada e estamos, desde há muito tempo, na fase de integração política. Os Estados Unidos da Europa estão aí, com tudo o que resulta de um modelo federalista europeu: supremacia dos mais fortes sobre os mais fracos, aumentando ainda mais o fosso entre ambos. Se alguém acha que a austeridade vai terminar, desiluda-se: é para continuar, com a diferença de nos tornarmos numa colónia abandonada de Bruxelas, com valor residual, onde só recairão os investimentos que os outros entendam que devemos ter e não aqueles que conseguirmos captar. 

Países como Portugal encontram-se numa encruzilhada: sair do euro pode ser desastroso para as suas economias no curto e no médio prazo, mas, por outro lado, pode garantir-lhes a independência perdida desde que o projecto de integração europeia abandonou a fase de mercado comum, o que lhes permitiria definir as respectivas políticas internas e a formalização de alianças com quem (e como) bem entender. A seguir o actual caminho, o fim de Portugal enquanto Estado-Nação é uma questão de (pouco) tempo. Passaremos a ser o Dakota do Norte ou o Vermont cá do sítio. O que vai acontecer está diante dos olhos de todos: pior cego é aquele que não quer ver.

Contudo, Portugal ainda tem uma saída: a lusofonia. O velho projecto do lusotropicalismo adaptado aos tempos modernos. Portugal ainda pode abandonar o projecto do euro e suportar-se num modelo de integração que gire em torno dos países da CPLP, mais global, mais justo e mais próximo da identidade nacional. Este modelo poderá ainda incluir países asiáticos, como a Índia, e outros africanos. Para uns e outros acabámos de defender (e bem) a atribuição de cargos como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não tenho a menor dúvida de que o futuro passa ou pela reforma do actual modelo de organização de poder ao nível mundial ou pela criação de meios alternativos aos actualmente existentes, onde despontarão países emergentes e outros que, não o sendo, se encontrem numa posição de subjugação face aos poderes dominantes. Aqui, Portugal e a lusofonia podem ter uma palavra a dizer.

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