quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A ilusão do Novas Oportunidades no relatório da OCDE.

Sócrates fez uma política para as estatísticas e não para os portugueses e acaba por lhe ser dada razão: foi ontem divulgado o relatório da OCDE que catapulta Portugal para o 2.º lugar dos países com maior taxa de obtenção de diplomas do final do ensino secundário, muito por culpa do programa Novas Oportunidades.

Subimos na estatística, somos destacados por isso, mas Portugal não consegue ser exemplo: este relatório da OCDE só revela que os números e as estatísticas servem para um Estado se colocar em bicos de pés relativamente aos restantes. A verdade é que ninguém pode dizer que os que concluíram a sua formação ao abrigo do Novas Oportunidades têm um nível de conhecimentos que de facto corresponde às habilitações que tem, sobretudo quando muitos destes trabalhos podem ser adquiridos por cerca de 400 euros. A estatística é tão falaciosa que coloca Portugal no 2.º lugar da classificação - já agora gostaria de saber se existe um instituto semelhante ao Novas Oportunidades na Eslovénia - e, de 2008 para 2009, a taxa de obtenção de diploma aumentou 34%! Terá toda esta gente decidido voltar à escola e frequentar um plano curricular minimamente sério? Nem por isso.

Como vivemos num país orientado com base em números e aparências, apenas interessa ser-se detentor de um diploma de 12.º ano. Como foi obtido, é irrelevante. Por este motivo, não posso deixar de aconselhar todos os que puderem a obterem o seu diploma através do Novas Oportunidades, enquanto este dura: ninguém quer saber de que forma foi o 12.º ano concluído, pelo que quem seguir a via tradicional - e «honesta» - corre o risco de perder tempo e oportunidades de emprego, beneficiando com isso pessoas que tiram o curso em meia dúzia de dias com algumas centenas de euros.

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