segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A diplomacia que não aparece nas televisões.

Dois exemplos recentes de diplomacia menos visível, sem luzes e câmaras de televisão, sem cumprimentos e abraços entre ministros e sem formalidades de maior, mas que projectam os interesses nacionais no exterior: o primeiro, o anúncio de dotação dos tribunais brasileiros com um programa desenvolvido pela empresa portuguesa VoiceInteraction que permite a transcrição automática da gravação em formato áudio e vídeo das sessões, reduzindo, em muitos casos, a morosidade dos processos, a exemplo do que sucede em Portugal.


O segundo exemplo vem da mais recente visita a Portugal do director da Sukanda Djaya, o maior importador agro-alimentar da Indonésia, o que lhe permitiu ter contacto com as potencialidades do mercado nacional que de outra forma não teria, conforme refere ao denunciar as lacunas na promoção dos produtos portugueses em feiras internacionais, acusando-as de, não raras vezes, disporem de «vinhos por todo o lado», quando temos tantos e tão bons produtos passíveis de exportação para um número ilimitado de mercados, sendo disso exemplo o azeite, a sardinha em lata e até o mítico (e muito apreciado) pastel de nata.

Esta diplomacia é desenvolvida de forma discreta, nos bastidores e não são só os indonésios que revelam interesse por relações directas e pragmáticas: excluindo os africanos, que nem sempre dispensam os mimos, os potenciais clientes de produtos nacionais revelam as mesmas características dos asiáticos e preferem 5 minutos de conversa directa e negociação a 2 horas de croquete. Estas pessoas estão aqui para negociar, gerar lucros e proteger os seus interesses, não estão aqui para «namorar». E Portugal deve ser igualmente pragmático neste sentido: apresentar o que de melhor tem, sem rodeios e sem ilusões, e receber como só os portugueses sabem receber. O resto é negócio. Temos gente e produtos capazes de concorrerem com os «grandes» de muitos sectores - das tecnologias à alimentação - e temos mercados que nunca mais acabam. É preciso coragem, por vezes algum risco e também visão política. Temos todas as condições para vencer!

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