quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Cortes na saúde: a história repete-se.

Aumento do IVA sobre o gás e electricidade para valores absurdos, aumentos inacreditáveis nos títulos de transporte e agora os cortes de 11% na saúde. Se, actualmente, se verifica um considerável grau de probabilidade de na sequência de uma visita ao hospital ou ao centro de saúde regressarmos com uma história para contar, com estes cortes a visita promete transformar-se numa aventura mais radical: não há médicos, não há enfermeiros, não há macas, não há bisturi, não há álcool, nem há anestesia, mas temos muitas surpresas para vocês!
Com tantos cortes, já nem sequer adianta falarmos em Estado social. O Estado lato sensu corre o risco de acabar para regressarmos aos tempos da sociedade feudal: quem tem dinheiro dita as regras. Já o pobre português terá de se preparar para recuar algumas décadas ou até mesmo alguns séculos atrás e regressar aos hábitos dos nossos antepassados que nos fazia pensar «que atraso de vida» de cada vez que os recordava-mos na escola: se queremos água quente, dispensamos o gás e usamos lenha; se queremos luz, dispensamos a luxuosa electricidade e usamos tochas ou candeeiros a óleo; se quisermos cuidados de saúde, dispensamos os hospitais e os centros de saúde e recorremos aos curandeiros e aos endireitas.
No meio disto tudo, convém aproveitarmos o impulso que a Ministra Assunção Cristas quer dar à agricultura nacional e aproveitarmos para comprar o nosso palmo de terra no interior do país para nos tornarmos auto-suficientes: nunca se sabe quando meia dúzia de cenouras nos custam 15 dias de trabalho.

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