quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Assunção Cristas no Prós e Contras para conseguir o que não se vê há muito tempo: união.

É impressão minha ou ontem assistiu-se a um raro momento do Prós e Contras com cordialidade e consenso entre os intervenientes no debate? Teremos todos assistido a um debate de sentido único, nomeadamente na verdadeira procura de soluções que levem vários sectores a um ponto que beneficie o país? Não me recordo de um debate em que o titular da pasta ministerial cujo tema está em discussão manifesta humildade suficiente para reconhecer as suas limitações na matéria e vontade e total disponibilidade para ouvir, reunir e aprender com quem sabe, para poder ter um desempenho que corresponda às necessidades, não suas ou de terceiros, mas do sector que gere.

Isto passou-se na segunda-feira com Assunção Cristas, Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território (MAMAOT). Atenção, Assunção Cristas é Professora Doutora e podia muito bem esconder as suas fragilidades. Não quis causar desconfiança naqueles que serão os seus principais críticos ao longo do mandato, os produtores, os agricultores, os criadores, os pescadores, os silvicultores, etc. Só a agricultura, isoladamente, não é tarefa fácil. O sector é composto por vários subsectores, qual deles o mais importante, e todos eles vivem fases muito difíceis para conseguirem garantir a sobrevivência. Não é fácil garantir o consenso de todos os actores em presença. Ainda assim, Assunção Cristas preferiu ser honesta, delegar competências técnicas a quem detém as qualificações necessárias para a poder ajudar a tomar decisões. É para isso que Assunção Cristas foi nomeada Ministra, para decidir em benefício de vários sectores. E provou-o neste mesmo debate, apontando caminhos: desde a possível retirada de benefícios aos proprietários de terrenos desaproveitados à criação de «bolsas de terras», à defesa das quotas leiteiras até à redução de IMI para quem cultivar terras.

Ao contrário de muitos - que acham que por Assunção Cristas ter iniciado o mandato há apenas três meses o seu estado de graça ainda perdura pois dificilmente pode ser responsabilizada por má governação -, entendo que este debate surgiu na altura certa: no início do mandato, quando todos podem dar o seu contributo para apoiar a Ministra na sua missão, missão essa que se for cumprida devidamente irá beneficiar todos os que tornam os sectores da agricultura, do mar e das florestas uma realidade possível em Portugal. Aliás, Assunção Cristas é uma pessoa diferente de muitas outras personalidades com responsabilidades políticas: não precisa da política para garantir o seu futuro e cede pouco a pressões de determinados interesses, logo, terá capacidade para fazer um trabalho mais isento que marque o equilíbrio entre todos os intervenientes no processo dos sectores que agora tutela: do produtor ao consumidor final. O «equilíbrio» está patente na sua visão sobre o aproveitamento das terras: não expropriar terrenos desaproveitados, antes permitir que (i) o proprietário tenha direito a uma renda - incentivando-o a ceder o terreno -, que (ii) o agricultor possa explorar esse terreno e (iii) que o país aumente a produção de bens alimentares.

Realizar este debate no fim era fácil: passados quatro anos, com cada um a tentar sobreviver por si, seria fácil crucificar uma Ministra com poucos apoios. Quando todos se juntam, com vista à melhoria do actual quadro, a missão é ainda mais fácil, afinal, todos contribuem para um objectivo comum, sem se isolarem numa posição egoísta que leva a que cada um apenas consiga ver os seus próprios interesses, ignorando a solução que os poderá beneficiar a todos no curto e no longo prazo.

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