segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Alberto João Jardim e a Madeira: uma história com juras de amor, dinheiro, traições, vilões, drama e até heróis!

A relação de Alberto João Jardim com a Região Autónoma da Madeira emociona-me, desde logo, por se tratar de um romance que se passa num arquipélago semi-exótico e caracterizado pelas (i) constantes juras de amor eterno das duas partes - ele diz que a ama e a quer desenvolver e ela responde com maiorias atrás de maiorias -, pelas (ii) traições - de bastardos, dos filisteus, dos fidalgos do continente e dos supostos colegas de partido - e (iii) por todo o drama que essa situação acarretou ao longo dos últimos 30 anos.

O dinheiro envolvido no negócio para que a relação desse certo nunca foi novidade: o homem, qual macho à moda antiga, tinha de garantir o sustento de uma mulher que perdeu o honroso estatuto de «pérola do Atlântico» e virou meretriz, tornando-se refém de um marido pouco abastado mas que gosta de dar ares de rico. Na verdade, não encontro mais nenhum adjectivo para rotular os populares que ainda hoje vão para a televisão defender um pródigo que devia ser inabilitado pelo PSD e acham que vale tudo, até descontrolar as contas públicas, desde que a Madeira tenha estradas, casas construídas em falésias e uma marina offshore.

No mais recente episódio da novela, Alberto João Jardim justifica a ocultação de 1.113 milhões de euros de dívida como tratando-se de uma omissão em «legítima defesa». Um acto heróico, sem qualquer dúvida: Alberto João sacrificou os interesses nacionais para salvar uma Região Autónoma que, segundo ele, tem sido abandonada pelo continente. Não sei quanto à maioria dos madeirenses - na verdade até sei -, mas nós, aqui do continente, apreciamos pouco os «heróis» que para o serem necessitam de comprometer o futuro de um Estado com quase 900 anos. Neste momento preferimos os «cobardes», menos ambiciosos e mais poupadinhos, que nos ajudem a sair do buraco onde os «heróis» dos últimos 37 anos nos meteram.

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