terça-feira, 16 de agosto de 2011

Portagens para todos: IC19, IC2, Marginal, Marquês de Pombal, Av. Liberdade, 24 de Julho, São Bento, Alfama...

A Estradas de Portugal quer, a Câmara Municipal de Lisboa sonha, a portagem nasce. A ideia de portagens no IC19, no IC2 e na Marginal não é assim tão descabida quanto parece e faz todo o sentido, sobretudo depois de o município ter interditado a circulação de automóveis anteriores a 1992, na Baixa, com o objectivo de melhorar o ar da cidade, outra ideia brilhante que abrange uma média de 5 veículos por dia, os quais, convenhamos, dificilmente serão os que contribuem para que a Avenida da Liberdade seja uma das mais poluídas de todo o país.
Noutros países existem soluções semelhantes, porém com uma rede de transportes públicos de qualidade incomparável com a de Lisboa, que serve de alternativa aos automóveis. Aproveito e desafio qualquer apoiante desta ideia imbecil a tentar entrar na cidade em plena hora de ponta e ainda a parar numa portagem do IC19, do IC2 ou da Marginal. Lanço ainda outro desafio: tentem ir de Belém ao Oriente, de Benfica ao Beato ou de Alfama ao Lumiar e constatem quanto tempo se demora a fazer estes percursos com a excelente rede de transportes públicos de Lisboa. O que dirão os trabalhadores da Margem Sul que tenham de se deslocar para Sacavém, Belém ou qualquer outra extremidade da cidade. Os promotores desta ideia sabem que não convencem ninguém com a conversa ambiental ou de incentivo à utilização de transportes públicos e assumem, sem pudor, que tudo o que pretendem é financiar os transportes públicos. Cortar na despesa, sobretudo nos gastos com os luxos dos gestores, isso é que está fora de questão.
A propósito de ideias brilhantes e de Paulo Campos, que apadrinha muita gente em negociatas com transportes e estradas - como o seu ex-assessor Pedro Bento, cuja empresa que administra conseguiu o monopólio da venda de chips para os automóveis passarem nas SCUT e que juntou ainda Alberto Moreno, Presidente do Instituto das Infra-Estruturas Rodoviárias, e Jorge Silva, vogal da administração do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (e pensar que o nosso ordenamento permite esta relação tão fácil quanto potencialmente obscura entre o público e o privado) -, lanço aqui mais uma sugestão brilhante: além dos famosos chips das SCUT, da Via Verde e do Via Card, porque não impulsionar o espírito empreendedor de mais uma jovem promessa socialista ou social-democrata - daquelas que constitui empresas com pouco mais do que um conselho de administração e regista lucros elevados sem criar postos de trabalho proporcionais à facturação - e conceder-lhe o exclusivo de exploração dos meios de pagamento nas novas portagens, as quais só poderão ser efectuadas com um quarto dispositivo a criar pela referida empresa?

P.S.: Num país com um mínimo de bom senso e vergonha, jamais seria possível chegar ao poder um partido que apoiasse um vereador que se atreve a criticar a decisão de não aumento do IVA nas portagens da Ponte Vasco da Gama.
P.S.2: Não será difícil adivinhar que, depois das portagens em todos os acessos a Lisboa, o próximo passo será criar vários tipos de portagem em função do local de destino. Assim, tal como nos transportes públicos e nos lugares de estacionamento, também teremos diferentes coroas traduzidas em miniportagens urbanas cujos valores variam consoante o automóvel circule no centro, na periferia ou em zonas intermédias.

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