segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Merkel, Leyen e os Estados Unidos da Europa.

Ursula von der Leyen defende a ideia de criação dos «Estados Unidos da Europa». A ideia de federalismo europeu que muitos nos garantiram ser impossível aquando do projecto de Constituição europeia, ainda há meia dúzia de anos (lembram-se?), é cada vez mais uma realidade. Não se pense outra coisa: com sobressaltos aqui e ali, o projecto político de integração europeia é uma realidade desde que a Europa abandonou o mercado comum e abraçou a união económica. Nós não nos sentimos «europeus», mas os nossos descendentes de terceira ou quarta geração provavelmente terão sentimento diferente.

Se depender de países como Portugal - governados por homens sem sentido de Estado e amor à Pátria -, alienaremos a nossa soberania o mais breve possível e seremos Estados Unidos da Europa «ontem». Se depender de verdadeiras nações, como a França ou o Reino Unido, este projecto vai  permanecer na gaveta durante muitos e longos anos, a menos que a Alemanha volte a tentar encurralar os primeiros e o feitiço vira-se contra o feiticeiro (novamente).

O mais surpreendente no meio disto tudo nem é saber que permanece intacta a velha ambição de «federalizar» a Europa sob o leme da Alemanha - ainda há pouco mais de 70 anos um outro alemão tinha a mesma ideia. O maior contra-senso é mesmo saber que Leyen é apontada como provável sucessora a Angela Merkel e que a Alemanha tudo tem feito para destruir o que de mais federalista há na União Europeia, justificando que tudo faz para o salvar: a moeda.

Por outro lado, importa responder à seguinte pergunta: não será paradoxal a ideia de «Estados Unidos da Europa» quando este projecto está a ser moldado de forma a proteger os interesses nacionais locais de um dos seus estados federados, a Alemanha?

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