quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Casamento PSD-CDS: Coligação ou convulsão?

Os 11,7% de votos do CDS-PP continuam a ser demais para um PSD que se sente mais pequeno do que a confiança que os eleitores lhe deram. Um ministro centrista não pode gozar de autonomia. Todos os cuidados são poucos. Os populares não são aliados, são ameaças aos sociais-democratas, motivo pelo qual a facção laranja insiste em atacar o seu companheiro de um casamento que ainda não teve tempo de gozar a lua-de-mel e já é alvo de violência: primeiro, o reduzido número de representantes do CDS no Executivo; em segundo lugar, a colocação de vigilantes no apoio aos ministros centristas; em terceiro, a nomeação de Braga de Macedo para aborrecer Portas; agora surgem, em quarto, a pressão social-democrata em torno das privatizações; em quinto, a reacção de Alberto João Jardim e o silêncio do PSD face às críticas (justas) de Paulo Portas para com o modelo de gestão prosseguido pelo Presidente do Governo Regional da Madeira; e, em sexto, a inexplicável exclusão de Paulo Portas do Conselho de Estado, pelo PSD.
Reparem, são seis incidentes em apenas 45 dias, desde que o Governo tomou posse. Dá uma média de uma discussão conjugal por semana! Ou muito me engano, ou a este ritmo não teremos coligação para durar meia legislatura. O PSD dedica-se a combater a possível influência de um parceiro (?) que continua a ganhar pontos com base numa política assertiva com vista à projecção do país junto da Comunidade Internacional e à protecção dos mais necessitados. Brevemente teremos novidades na agricultura.
Pedro Passos Coelho continua impotente para contrariar o bom trabalho dos seus aliados, quando a sua prioridade devia passar por dar seguimento ao bom trabalho desenvolvido pelos centristas. Pedro Passos Coelho continua preocupado com a ascensão dos seus aliados e ignora a hipótese de se automutilar e comprometer um projecto de coligação que tem tudo para vencer. Se Pedro Passos Coelho pretende controlar as ameaças aos interesses dos seus pares deve começar por olhar na direcção daqueles que se dizem independentes e, entre o ar trapalhão e sonso que revelam publicamente, vão expandindo a sua área de influência aproveitando o facto de o líder estar empenhado em apagar fogos imaginários que se reacendem com cada vez mais força.

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