quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Câmara Municipal de Almada: Poupança ou segurança?

Na passada semana foram denunciadas as extravagâncias da Câmara Municipal de Almada. Entre outras despesas de relevância questionável, destacam-se, só em 2011, (i) 31.915,64€ na aquisição de 32 relógios em ouro para presentear os trabalhadores que cumprem 25 anos ao serviço do município, (ii) perto de 11.000€ com um almoço de homenagem aos professores aposentados que leccionaram em escolas do concelho, (iii) 39.100€ por uma produção técnica por altura do 25 de Abril e (iv) 83.640€ com a organização do almoço do Dia Internacional da Mulher.
Nos anos anteriores relevam (i) os 94.174,72€, entre Maio de 2009 e Maio de 2010, na aquisição de relógios em ouro com o mesmo fim dos adquiridos este ano, (ii) os 50.280€ para organizar o jantar comemorativo do 36.º aniversário do 25 de Abril, com a presença de 800 convidados, e (iii) 156.417€ na aquisição de medalhas de prata e bronze, em 2009 e 2010. Pelo meio, importa recordar os mais de 140.000€ investidos, em 2009, numa exposição permanente de ferro-velho que a CMA baptizou de «Monumento aos Trabalhadores da Indústria Naval», na Rotunda Filipa D'Água (Caparica). Contas feitas, o Município gastou, pelo menos, 606.527,36€ com bens e serviços voluptuários.
Porém, a 6 de Junho de 2011, a mesma CMA publicou um conjunto de «medidas para poupar na iluminação pública». Entre outras, o Executivo camarário manifesta a sua preocupação pelo facto de a iluminação representar «centenas de milhares de euros de despesa no orçamento municipal» e acrescenta que as medidas tomadas são insuficientes, tendo sido necessário dar início a «uma fase experimental de redução do período durante o qual a iluminação pública está ligada», sendo esta redução «feita quer ao amanhecer quer ao anoitecer».
Pois bem, apesar de ter sido considerada a segurança dos almadenses, permitam-me informar que tal não está a acontecer. Apagar a iluminação pública em zonas de bairros de habitação social é, no mínimo irresponsável, já para não falar que as luzes apagam-se bastante tempo antes do anoitecer e do amanhecer e centenas (senão mesmo milhares) de pessoas há que residem nestas áreas e são obrigadas a sair de casa em plena escuridão sem que se veja um poste de iluminação aceso ou a presença de autoridades nas ruas que garantam a segurança dos cidadãos.
Considerando que os gastos avultados da Câmara Municipal de Almada com a celebração de efemérides e aquisição de bens e serviços extravagantes, é de todo paradoxal que o Executivo invoque a necessidade de poupança como forma de justificar (i) a redução dos valores despendidos na contratação de serviços - obrigando muitos funcionários de empresas que prestam serviços à Câmara a deslocarem-se para Lisboa e até para o Montijo por corte de postos de trabalho resultantes dos cortes impostos pela CMA - bem como (ii) a diminuição do período de iluminação pública, colocando milhares de almadenses em situação de perigo abstracto, mesmo apesar de ter sido aprovado um Orçamento Municipal, para 2011, de 83.578.294,31€.
Neste quadro, importa obter resposta da Câmara Municipal de Almada à seguinte pergunta: o que é prioritário para os órgãos municipais, poupança ou segurança?

2 comentários:

Tonita disse...

Considero os temas muito pertinentes.
Obrigada, pela seleccão que faz

Nem tudo Freud explica disse...

Obrigado pelo seu comentário, Tonita.
Se tiver algum tema ou alguma matéria que possa ser tratada neste espaço, agradeço a sugestão.