sábado, 6 de agosto de 2011

Alguns exemplos de bons e maus exemplos no Governo (III)

Numa quinzena marcada, essencialmente, pela venda do BPN ao BIC e pela tensão entre Paulo Portas e Alberto João Jardim, do lado dos maus exemplos surgem, com naturalidade, Vítor Gaspar e Pedro Passos Coelho. O ministro das Finanças continua sem conseguir explicar o porquê de ter escolhido o banco presidido por um ex-ministro de Cavaco Silva para ficar com um banco detentor de um património considerável e também marcado por vários escândalos envolvendo... antigos ministros de Cavaco Silva. A caridade tem limites e se vender o BPN por 40 milhões de euros, por si só, já é um péssimo negócio, então como qualificar tudo isto quando por este valor o BIC tem direito a (i) uma rede de 160 balcões, (ii) 1.580 trabalhadores, (iii) pagamento de indemnizações aos trabalhadores pelo Estado a despedir e ainda (iv) a aumentar o capital do banco em 550 milhões de euros, valor este pago pelo Estado.
Sobre Pedro Passos Coelho pouco há a dizer senão fazer referência a três episódios como (i) o seu silêncio perante o mundo à parte a que muitos chamam Madeira, mas que é uma espécie de Melmac para Alberto João Jardim, onde manda e desmanda sem qualquer controlo e sempre com o consentimento e financiamento do poder central; (ii) a criação de obstáculos à convivência entre o PSD e o CDS-PP, não só afastando os centristas da decisão como também integrando mecanismos de monitorização e atenuação da influência do CDS no poder; e (iii) a desresponsabilização da deputada Joana Barata Lopes perante um alegado teste para a linha 112, sem qualquer rigor ou método científico capaz de justificar a sua intervenção na Assembleia da República.
Do lado dos bons exemplos, estes são dados pelo PSD e, uma vez mais, pelo CDS-PP. Do lado social-democrata, refira-se a anunciada extinção da empresa Frente Tejo SA, pelo ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. Criada em 2008 por José Sócrates, a empresa pública custou ao erário público, em 2010, mais de 400.000 euros, só em salários do conselho de administração.
Finalmente, o último bom exemplo dado pelo Governo é ilustrado pelo ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares. Com um PSD envolto em polémicas e preocupado com o poder exercido de facto pelo CDS-PP, o ministro centrista anuncia o Plano de Emergência Social (PES) e que contempla, entre outras medidas, o (i) aumento em 10% do subsídio a casais desempregados, a (ii) criação de um mercado de arrendamento para famílias excluídas da habitação social, a (iii) simplificação das regras da segurança e higiene alimentar nas Instituições Particulares de Solidariedade Social - levando as IPSS a fazerem o controlo da sua higiene e segurança, retirando a ASAE dessas funções -, a (iv) distribuição gratuita de alimentos fora da rede de estabelecimentos de restauração, a (v) distribuição de refeições «a quem não consiga prover a si e à sua família pelo menos duas refeições diárias» e ainda a (vi) criação de 20 mil novas vagas nas creches que já existem. A melhor maneira de se fazer política a pensar na reeleição é fazer política a pensar no povo!

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