quarta-feira, 27 de julho de 2011

Duas deputadas do CDS-PP (Teresa Caeiro e Teresa Anjinho) e dois momentos infelizes.

Sobre o caso de Teresa Caeiro com Alfredo Barroso, só me apraz dizer que a cabeça-de-lista do CDS-PP por Lisboa esteve mal durante cerca de 20 minutos. Infeliz, muito infeliz, desrespeitoso e desnecessário. Fica a sensação que a carapuça serviu, quando até não servia. Alfredo Barroso é provocador, indolente, chato... mas Teresa Caeiro caiu na armadilha dele, infelizmente.
Sobre Teresa Anjinho, não gostei da entrevista ao jornal I. Conheço-a e tenho uma estima por ela. Porém, este não terá sido o seu momento mais feliz. Digo-o por três motivos:
  • Num momento em que o povo é severamente penalizado e o sente na pele, não é honesto dizer «é preciso toda a austeridade necessária para equilibrar as contas públicas». Pior é quando prossegue, afirmando que «[dizer que os sacrificados são sempre os mesmos] não é um bom argumento» ou que «todos vamos pagar pela crise. É natural que as leis sejam gerais e abstractas, e por vezes poderão penalizar mais uns que outros, mas isso chama-se legislar. Legislar é diferenciar e deve ter em conta essencialmente os mais desprotegidos». Sinceramente, alguém acredita nisto? Há que separar realidade de wishful thinking e se legislar é poder «penalizar mais uns do que outros», então o melhor será parar de fazê-lo! Um português médio vai encarar isto como «conversa de político» e vai dizer aquilo que Teresa Anjinho diz que lhe «custa ouvir», o clássico «"vocês são todos iguais"»;
  • Em segundo lugar, uma jornalista lamentar-se perante uma deputada sobre as mulheres terem trabalho fora e em casa e ainda questioná-la sobre se existem poucas mulheres no Parlamento e se «sente que tem de se esforçar mais que os homens para lhe darem crédito» é um pouco como ser-se advogado em causa própria. Já diz um velho provérbio africano que «quando a história da caça ao leão é contada pelo caçador, o leão perde sempre». Em pleno século XXI ainda incidir o discurso em teorias de vitimização em função do género parece-me infeliz, sobretudo quando diz «é difícil. Uma mulher para conseguir progredir numa carreira a partir de determinado nível alto, normalmente tem de demonstrar mais e assumir por vezes qualidades e adjectivos que nem sempre são aqueles que a caracterizam». Pelo meio Teresa Anjinho confunde-nos quando desabafa um «na verdade temos sempre [de se esforçar mais que os homens para lhe darem crédito]» e termina a resposta com «se acho que vou ter de trabalhar mais para o provar... No meu caso particular não, mas via de regra diria que sim». Afinal, em que ficamos? Têm ou não têm de provar (sempre)?
  • A resposta à pergunta anterior é dada no terceiro ponto da entrevista. Quando questionada sobre como surgiu o interesse pela política, Teresa Anjinho responde «na realidade sempre gostei, mas os passos numa política activa começaram a ser dados recentemente. (...) Entrei em Março na comissão política nacional, entretanto o governo demite-se e a partir daí foi o processo das listas, não fazia ideia se ia constar ou não. Foi uma indicação do Dr. Paulo Portas para integrar as listas de Aveiro. E aqui estou».
    Seguidamente, para justificar a escolha do CDS-PP, responde, entre outras coisas, «nos últimos tempos tenho conseguido identificar uma postura de Estado (...) nas pessoas que hoje são a face do CDS. O Dr. Paulo Portas, Mota Soares, de quem fui colega na Faculdade de Direito em Coimbra, a Assunção Cristas, minha amiga e colega aqui no doutoramento de Direito da Nova. A minha querida amiga Mariana Ribeiro Ferreira, que foi vereadora na Câmara Municipal de Cascais.
    Ou seja, concluímos que para se conseguir um bom cargo político não é preciso manter um grau de ligação ao partido durante muito tempo nem muito mérito profissional. Tudo poderá ser facilitado através de uma espécie de promoção per saltum se se conhecerem as pessoas certas.

Em suma, dois momentos, a meu ver, infelizes, de duas deputadas, embora em Teresa Anjinho reconheça que a (demasiada) sinceridade deva ser destacada, pois, de facto, disse exactamente o que pensa, ainda que possamos não concordar com o conteúdo daquilo que foi dito.

1 comentário:

Anónimo disse...

Concordo com tudo o que se diz aqui...e é interessante o título do blog