segunda-feira, 25 de julho de 2011

Alguns exemplos de bons e maus exemplos no Governo (II).

Há alguns meses afirmei que este PSD liderado por Pedro Passos Coelho é, muito provavelmente, aquele que menos tem a ver com o CDS-PP, desde a existência dos dois partidos. O Governo só tomou posse a 21 de Junho, mas as diferenças entre ambos são por demais evidentes e dá cada vez mais a sensação que existe um pacto de não ingerência na pasta alheia que reduz o âmbito de intervenção dos ministros centristas apenas à jurisdição que lhes foi adjudicada aquando da celebração do acordo político entre Passos Coelho e Paulo Portas.
Porém, Passos Coelho parece não confiar na boa fé e na competência de Portas - ou se calhar até está demasiado ciente da seriedade com que encara as suas funções - e ilustra, novamente, um dos maus exemplos da semana ao mostrar ao líder centrista que a pasta que lhe foi entregue é demasiado preciosa para ser confiada a um homem com a capacidade para fazer um excelente trabalho e elevado carisma, como é o caso de Paulo Portas. Essa prova foi dada com a nomeação de Jorge Braga de Macedo para a liderança da diplomacia económica. Ao escolher exactamente esta pessoa - cuja competência (ou falta dela) não será abordada neste tópico - Passos Coelho vai para lá do medo que Portas tenha um desempenho de tal forma excelente ao ponto de ser capaz de (i) granjear mais apoios entre os notáveis e os eleitores comuns e (ii) conquistar eleitorado ao PSD no futuro. Ao nomear Braga de Macedo, Passos Coelho tenta deixar o seu cunho no trabalho do mNE e retirar-lhe algum protagonismo que a médio prazo se pode revelar ameaçador - veja-se o sucesso que foram as visitas de Paulo Portas a Angola e Moçambique, onde incidiu o seu discurso na parte económica e ainda transmite uma imagem mais suave, transparente, genuína e de proximidade face ao destinatário.
Vejam com atenção estas imagens e reparem na forma como Portas cumprimenta aqueles com quem se reúne, o seu à vontade, os abraços, os sorrisos, a informalidade dentro da formalidade, a forma como contacta com a comunicação social. Paulo Portas está a acabar com a imagem cinzentona que caracterizava a diplomacia portuguesa até então e é fácil criar empatia junto dos outros, algo que, em muitos casos, é meio caminho andado para se conseguir o que se pretende. Não é que Luís Amado fosse antipático ou mau ministro, mas Portas nasceu para isto, ser estadista, ser ministro, liderar, contactar com o público e altas patentes do Estado, com chefes de Estado, com a classe política estrangeira, etc. Basicamente, Portas escolheu um caminho que Portugal já devia ter escolhido há mais tempo e Passos Coelho teme que isso lhe saia caro no futuro, motivo pelo qual entra na lista dos maus exemplos desta semana: num Governo de coligação não se boicotam os aliados, muito menos se lançam cavalos-de-Tróia para o trabalho dos nossos colegas. Com inteligência, Passos Coelho só tem a ganhar com um Paulo Portas satisfeito e bem sucedido. A tentativa de pressionar o mNE é gratuita e, acima de tudo, desnecessária, embora acredite que a tentativa de desestabilizar não passe disso mesmo, tentativa.
Passos Coelho deve fazer ainda mais contas à sua vida ao constatar que aquele a quem entregou uma pasta incompleta - a da Solidariedade e Segurança Social (MSSS), à qual falta o Trabalho - com um presente envenenado pelo meio - Marco António Costa, uma espécie de alternativa a Miguel Relvas mandatado para vigiar Pedro Mota Soares e ter a certeza que o PSD colhe alguns louros com a obra deste Ministério. Dois bons exemplos dados por Mota Soares: o primeiro, relacionado com o alargamento ao plano nacional de um projecto piloto implementado em Cascais pela vereadora centrista Mariana Ferreira e que versa sobre a cedência gratuita de medicamentos a pessoas carenciadas; o segundo, com as iniciativas do MSSS tendo em vista o aumento dos apoios dos fundos comunitários às instituições sociais de 75% para 85%.
Com um PSD continuamente emaranhado em polémicas relacionadas com nomeações, amores, desamores e outros ais, o CDS-PP continua a demonstrar que com poucas pastas sob a sua alçada é possível fazer muito, alheando-se de polémicas e aumentando a confiança dos portugueses perante o bom trabalho realizado até ao momento. E ainda não tem toda a artilharia pesada em jogo!

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